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Sábado, Abril 16, 2011

Doação de órgãos


Dando continuidade à série de respostas dadas no Yahoo Respostas pelo autor deste blog, hoje reproduzimos a resposta para a seguinte pergunta feita naquele site:
Você doaria seus órgãos?
Qual a sua opinião sobre o assunto?

Minha resposta foi a seguinte:
Se eu já estivesse morto, claro que sim!
Como não posso saber a intenção das pessoas que vivem à cata de órgãos para comércio, na minha identidade existe a opção de "não doador". Isso porque, se coloco doador, corro o risco de alguém (médicos, enfermeiros, anestesistas, etc.) me matar para ficar com meus órgãos e comercializá-los.

Acrescentaria hoje ao que escrevi: doar é um ato de amor e, portanto, nobre. Sem pestanejar, se vivêssemos numa sociedade segura, onde a honestidade e a ética fossem valores sociais e não apenas ideais, seguramente minha postura seria outra bem diversa. Afinal, pra que serve um órgão de alguém que já está morto senão para ajudar alguém que pode ser muito beneficiado com aquele órgão?
Infelizmente, não temos segurança. Mesmo constando na minha identidade que sou "não doador", estou seguro de que, se tiver o azar de ser o escolhido por uma pessoa sem escrúpulos, meus órgãos serão usados para ganhar algum proveito, mesmo que ainda esteja vivo. Pessoas como Léo, o personagem que a Rede Globo está apresentando em horário nobre na novela Insensato Coração são cada vez mais presentes em nossa sociedade.

Na verdade, após a minha morte quem decidirá o que será feito dos meus órgãos e do meu corpo é a minha família. Embora acredite, como é costume, respeitarem a minha vontade enquanto vivo. E, se assim o fizerem, a minha vontade é a de ser doador no caso de terem certeza de que já morri e não de que me mataram para comercializarem meus órgãos. Sei, que de nada adianta a doação se eu já estiver morto mesmo. A questão é: o médico diz que eu tive morte cerebral. Quem garante que isso é verdade? Na dúvida, prefiro não ser doador.

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